20 mulheres negras para admirarmos

Desde a semana passada, a hashtag #BlackWomenDidThat tem  circulado no Twitter, como uma forma de lembrar das conquistas e contribuições das mulheres negras para a história dos Estados Unidos.

Quando escrevi sobre a iniciativa, senti que seria bacana algo parecido com as mulheres negras brasileiras, que assim como as americanas – e de todas as partes do mundo -, também recebem pouco reconhecimento por suas ações, pioneirismo e esforços na construção da nossa sociedade.

Selecionei 20 delas a partir de pesquisas na internet, em sites como Geledés e As Mina na História, mas como são muitas mulheres negras incríveis e que precisam de reconhecimento, os comentários nesse post e nas redes sociais estão abertos para que você possa contribuir com a lista.

Use a hashtag #MulheresNegrasNotáveis e participe!

1. Luislinda Dias Valois dos Santos:

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Luislinda Valois nasceu em Salvador (BA), e foi a primeira juíza negra do Brasil e a primeira a sentenciar uma condenação por racismo no país. Foi professora do Colégio Militar no Paraná, advogada no Estado da Bahia e procuradora do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER). Na magistratura, jurisdicionou em 17 comarcas de seu Estado.

É autora de três livros, “O negro no século XXI”, “Mediação: uma solução de conflitos” e “Cemitério: uma abordagem técnica, médica e jurídica”, e já recebeu título de embaixadora da paz da ONU. Atualmente é secretária Promoção da Igualdade Racial do presidente em exercício, Michel Temer.

2. Enedina Alves Marques:

Enedina Alves Marques

Nasceu em 1913, em Curitiba (PR), e foi a primeira engenheira negra do Brasil, formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), na década de 40. De família pobre, Enedina trabalhou como babá e empregada doméstica, e deu aulas na rede pública de ensino do Paraná. Quando entrou na faculdade, era a única mulher em sua turma. Formada, trabalhou como auxiliar de engenheira, fiscal de obras do Estado e como chefe da Divisão de Engenharia da Seção de Estatística do Estado. Participou de grandes obras, como a Usina de Parigot de Souza e do Colégio Estadual do Paraná.

Ela foi homenageada e é uma das figuras na galeria de paranaenses ilustres. Enedina morreu em 1981 e dá nome ao Instituto Mulheres Negras de Maringá.

3. Viviane dos Santos Barbosa:

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Viviane é uma cientista brasileira que desenvolveu um produto que reduz as emissões de gases poluentes. Em 2010, ela recebeu um prêmio por seu trabalho em Helsinki, na Finlândia, durante uma conferência internacional, tendo competido com outros 800 trabalhos científicos do mundo todo. Nascida em Salvador, ela é mestre em Engenharia Química pelo departamento de Nanotecnologia da Universidade de Delf, na Holanda.

“No início, achavam que eu não conseguiria e colocaram várias dificuldades”, contou Viviane. “Nas aulas, notava que as explicações dos professores eram superficiais, como se eu não pudesse dominar o assunto. Mas encarei tudo isso como um desafio a ser superado”.

4. Deise Nunes:

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Deise foi a primeira e única Miss Brasil negra, sendo coroada em 1986, representando o Estado do Rio Grande do Sul. Já foi jurada, apresentadora de televisão e é dona de uma escola de modelos, onde prepara novas misses para concursos. Sobre nenhuma negra ter sido elegida ao posto além dela, Deise disse ao EGO que considera o fato “estranho”, já que o país é “tão miscigenado”.

5. MC Carol:

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MC Carol ganhou atenção com o funk “Meu Namorado É Mó Ótário”. Participou do reality show “Lucky Ladies” e faz diversos shows pelo país, levando suas músicas sobre feminismo e que denunciam as realidades das favelas brasileiras, como a violência policial e o racismo. É dela também “Não Foi Cabral”, música que fala sobre o genocídio indígena com a vinda dos portugueses para o Brasil. MC Carol também defende o fim dos padrões de beleza.

6. MC Soffia:

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MC Soffia pode ter apenas 12 anos, mas não subestime a menina por conta da idade. Com sua música, ela canta sobre empoderamento negro, algo que foi transmitido a ela por sua mãe, que é militante do movimento negro. Em uma de suas canções recentes, “Minha Rapunzel Tem Dread”, a garota fala sobre a falta de representatividade negra, criticando a falta de princesas de sua cor.

“Antes só me mostraram uma, a Tiana, mas eu queria ver mais, porque tem negras de todo jeito”, afirmouMC Soffia ao Catraca Livre. “Minha rapunzel tem dread. As pessoas tem muito preconceito, mas dread é lindo”.

7. Antonieta de Barros:

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Nascida em Florianópolis (SC), em 1901, Antonieta de Barros foi professora, jornalista, escritora, fundou o jornal A Semana, e foi a primeira deputada estadual negra do país, sendo também a primeira mulher a assumir o cargo em seu Estado. Tudo isso em um tempo muito mais difícil para mulheres e negros. Segundo o site A Cor da Cultura, Antonieta foi militante política, lutando durante toda sua vida pela valorização do magistério e da cultura.

Ela também foi responsável pela criação do “Curso Particular Antonieta de Barros”, voltado para a população carente, pois acreditava que a falta de instrução impedia “gente de ser gente”. Ela morreu em 1952.

8. Wanda dos Santos:

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Wanda dos Santos nasceu em 1932 e é um dos maiores nomes do atletismo brasileiro. Começou sua carreira nas pistas do Colégio e do Clube Atlético Ypiranga, em 1943. Em 1952 participou das Olimpíadas de Helsinki, na Finlândia, onde sofreu racismo por parte das outras competidoras, as quais se recusavam a chegar perto dela. Foi a segunda negra a competir nos Jogos Olímpicos, sucedendo assim Melânia Luz, que participou em 1948, em Londres. Wanda também esteve presente nas Olimpíadas de Roma, em 1960, e também dos Jogos Pan-Americanos, conquistando diversas medalhas para o Brasil.

9. Glória Maria:

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Considerada a primeira repórter negra da TV Brasileira, Glória Maria nasceu no Rio de Janeiro, tendo iniciado sua carreira na TV Globo em 1971. Trabalhou em diversos jornais da emissora, chegando a comandar o “Fantástico”, nas noites de domingo, entre 1998 e 2007. Foi também a primeira repórter a entrar ao vivo na televisão brasileira. Em seu currículo estão entrevistas com grandes celebridades, como Freddie Mercury, Michael Jackson e Madonna, além de reportagens importantes, como a posse do presidente Jimmy Carter.

10. Elza Soares:

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A “cantora do milênio”, segundo classificou a BBC, não teve uma vida fácil. Nascida na favela da Moça Bonita, Elza Soares surgiu em 1953 no programa de rádio de Ary Barroso. De lá para cá, nesses mais de 60 anos de carreira, a cantora tornou-se um dos maiores nomes da música brasileira, numa trajetória marcada pelo sucesso e pelas perdas de filhos e maridos. Hoje, Elza é um símbolo de resistência e utiliza sua arte para denunciar o racismo e o machismo presentes no país.

11. Daniela Gomes:

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Daniela é jornalista, ativista do movimento negro, nascida e criada na periferia de São Paulo. Mestre em Estudos Culturais, Especialista em Mídia, Informação e Cultura, ela faz doutorado na Universidade do Texas, cuja pesquisa tem foco no papel transformador do hip hop. Em 2011, foi uma das selecionadas pela ONU para participar do primeiro programa de Fellowship para Afrodescendentes.

13. Djamila Ribeiro:

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Djamila é pesquisadora, mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), colunista da Carta Capital e feminista. Atualmente, é secretária-adjunta de Direitos Humanos da cidade de São Paulo. “Em tempos políticos tão conturbados, integrar a Secretaria Municipal de Direitos Humanos é uma resposta a todo retrocesso que vem acontecendo. Me sinto motivada a lutar”, disse. “A gente vê como o governo ilegítimo [no plano federal] não está preocupado com a nossa agenda e é importante que a gestão Haddad esteja, e que possamos dialogar com os movimentos sociais”.

14. Stephanie Ribeiro:

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Stephanie estuda Arquitetura e Urbanismo na PUC-Campinas, é ativista e feminista negra. Já teve artigos publicados no Huffington Post Brasil, MdeMulher e Think Olga. É uma das vozes mais importantes do feminismo na internet. Em 2015, recebeu da Assembleia Legislativa de São Paulo a Medalha Theodosina Ribeiro, que homenageou seu ativismo em prol das mulheres negras.

15. Monique Evelle:

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Monique é estudante do bacharelado interdisciplinar em Humanidades na Universidade Federal da Bahia (UFBA), é fundadora do Desabafo Social, curadora do Catarse, ficou entre as 25 mulheres negras mais influentes da internet no Brasil, pelo Blogueiras Negras, e saiu na lista das 30 mulheres com menos de 30 com futuro promissor, feita pela Revista Cláudia e Portal MdeMulher, da Editora Abril. Ficou ainda  entre as 10 mulheres que fazem a diferença na Bahia, ganhou o Prêmio Laureate Brasil 2015 se tornando Fellow da YouthActionNet e está na lista das Mulheres Inspiradoras 2015, da Think Olga. Um documentário que narra sua trajetória está sendo feito pela cineasta Carolina Moraes-Liu.

16. Carolina Maria de Jesus:

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Carolina Maria de Jesus foi uma grande escritora brasileira. Nasceu em Sacramento, em Minas Gerais, e foi numa comunidade rural onde estudou dois anos em uma escola paga pela mulher de um fazendeiro, aprendendo a ler e a escrever. Aos 23 anos foi para São Paulo e morou na favela do Canindé. Catadora de lixo, ela escreveu diários, tendo um deles se tornado o livro “Quarto de Despejo”, metáfora criada pela para se referir à favela e seu cotidiano, sendo publicado em 1960. A obra foi traduzida para mais de 10 idiomas. Carolina morreu em 1977.

17. Ruth de Souza:

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Ruth de Souza entrou para a história da dramaturgia brasileira por ser a primeira negra a atuar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na peça “O Imperador Jones”, de  Eugene O’Neil. Por sua atuação em “Sinhá Moça” (1953), foi a primeira atriz brasileira indicada a um prêmio internacional: o Leão de Ouro, no Festival de Veneza de 1954. Em seu currículo estão mais de 40 novelas e dezenas de filmes e peças.

18. Eliane Dias:

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Advogada, palestrante, coordenadora do SOS Racismo na Assembléia Legislativa de São Paulo, produtora do grupo de rap Racionais MC’s e criadora da produtora Boogie Naipe. Essa é Eliane Dias, que tem umatrajetória marcada por muita luta.

“Eu sou feminista e não é por opção. É uma necessidade. Ou a gente se impõe, ou somos engolidas. O feminismo é ainda mais importante na periferia, mas é bem mais difícil ele chegar aqui”.

19. Taís Araújo:

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Taís Araújo é uma das atrizes mais conhecidas da televisão brasileira. Foi a primeira negra a protagonizar uma novela da Rede Globo e a primeira “Helena” negra em uma novela de Manoel Carlos. Começou a carreira no teatro, aos 11 anos de idade. Em 1996 deu vida à personagem-título de “Xica da Silva”, da extinta Rede Manchete, folhetim que a levou ao estrelato.

Hoje, com 21 anos de carreira, Taís interpreta Michele no seriado “Mister Brau”, ao lado do marido, o também ator Lázaro Ramos. Em suas redes sociais, a atriz faz questão de falar sobre empoderamento feminino, destacando o trabalho de mulheres das mais diversas áreas.

20. Carmen Costa:

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Carmen Costa foi uma cantora e compositora brasileira, autora das músicas “Está Chegando a Hora” e “Cachaça Não é Água”, as quais foram regravadas por diversos artistas e continuam sendo reproduzidas até hoje. Ela, que trabalhava como empregada doméstica do cantor Francisco Alves, cantou em uma festa dele, onde foi elogiada por ninguém menos do que Carmen Miranda. Carmelita (seu nome verdadeiro) participou do programa de calouros de Ary Barroso e saiu campeã, tendo feito uma brilhante carreira em seguida.

Em 2003, foi tombada Brasil pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro e, por tal ocasião, escreveu a canção “Tombamento”. Carmen Costa morreu em 2007.

Fonte: http://prosalivre.com/20-mulheres-negras-para-admirarmos/

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