9 expressões que você usa e não sabe que são racistas


por Isabela Faggiani, no ONDDA

A língua é viva e vai se modificando de acordo com os comportamentos e o modo de vida dos falantes. Por isso, é comum que algumas expressões e gírias acabem morrendo e sendo substituídas por outras.

E, como a nossa sociedade sempre foi racista, também é comum que muitas expressões e gírias antigas tenham uma origem de preconceitos. Porém, ainda há certas expressões que são resistentes ao tempo e, hoje, parece que perderam a sua conotação de racismo, mas não se engane, elas continuam recheadas de preconceito.

Você pode ter usado alguma delas – ou até todas – sem nem saber que a sua verdadeira origem serve para diminuir uma raça inteira de pessoas. Por isso, o ONDDA fez uma lista com 9 dessas expressões. Assim, quem sabe as pessoas não pensam em usar outros termos para se referirem à mesma coisa? Termos que, dessa vez, não tenham um passado maldoso:

A coisa tá preta – Aqui temos uma expressão na qual a palavra “preta” quer dizer algo ruim. Quando “a coisa tá preta” quer dizer que algo deu errado, não está bom. Pensar que algo que é preto ou negro é ruim é uma ideia totalmente racista.

Ovelha negra – Essa expressão é muito usada para designar uma pessoa que se destoa das outras de um mesmo grupo. É a pessoa “diferente”, pois todas as ovelhas são brancas, então uma “negra” seria estranha. Mas, por que usar essa comparação? Serve para reforçar que o normal é ser branco e ser negro é diferente e esquisito. E sabemos que isso não é real.

Mercado negro – Mais uma expressão que liga “negro” a algo negativo. Nesse caso, negro é o ilegal. O ilícito. De novo, o ruim.

Denegrir – A expressão é negativa, usada para falar sobre manchar a reputação ou difamar alguém. Porém, sua origem vem de “tornar negro”, colocando, portanto, o negro como algo negativo e errado. Tornar algo ou alguém negro não deve ser visto como algo negativo ou ruim.

Inveja branca – Aqui vemos o contrário: enquanto o preto e o negro são usados para denominar coisas ruins, o branco é usado como algo bom. A inveja é um sentimento visto como ruim e negativo, mas quando acompanhada da palavra “branca”, é algo positivo. Isso também é racismo. Enaltece o branco, o que, automaticamente diminui o negro.

Mulato/Mulata – A palavra vem de “mula”, que é a junção entre o burro e a égua, ou seja: dois animais diferentes. Usada para denominar pessoas que nasceram de um pai negro e uma mãe branca (ou vice-versa), tem exatamente o mesmo sentido de falar da Mula: uma pessoa que nasce de dois tipos diferentes. Isso iguala essas pessoas aos animais, tira-lhes a humanidade.

Boçal – A palavra quer dizer “rude, grosseiro, imbecil ou ignorante”. Mas a sua origem é de assustar: ela era usada para designar os negros vindos da África que ainda não sabiam se comunicar na língua portuguesa. Por eles não conseguirem usar o português, eram vistos como menos instruídos, por isso a expressão logo se popularizou e começou a ser usada para designar qualquer pessoa que não tenha instrução.

Não sou tuas negas – Essa gíria virou meme na internet. As pessoas começaram a usar como se fosse algo “engraçadinho” para quando alguém começasse a folgar ou mandar. A expressão é totalmente racista e escravocrata. “Não sou tuas negas” seria como um “você não manda em mim”, por que? Porque as negras eram propriedade dos brancos, elas eram mandadas por eles. Portanto, “ser tua nega” significa que você obedeceria a pessoa.

Judiar – Essa palavra é antissemita. Judiar significa “maltratar”, “ser mal” (como um judeu seria). A palavra tem ligação direta com os judeus e dá a entender que quem é judeu é malvado.

Bônus: Dia de branco – A expressão significa que é dia de trabalhar e, diferente do que muitos pensam,não tem origem racista. O primeiro pensamento de quem ouve, porém, é de que ela surgiu por causa do preconceito de brancos contra negros. Dizem que a expressão surgiu na Marinha, por causa dos uniformes brancos que eles tinham que usar para trabalhar. A pegadinha dessa expressão é que, com ela, ocorreu o contrário do que com as outras: enquanto as sete expressões mencionadas acima foram perdendo seu cunho racista, “dia de branco” foi ganhando. Hoje, quando é usada, geralmente vem acompanhada de alguma piada ou algum trocadilho racista. Ela tem um peso muito grande e pode sim ter uma interpretação racista, então fique atento.

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