Alvorada dos Ojás pede paz em Salvador e respeito a liberdade religiosa

Neste sábado(19) as árvores da cidade de Salvador amanheceram saudando a Oxalá, com ojás brancos amarrados em seus troncos como símbolo de paz em meio a crise em que vivemos no país. O ato, conhecido como Alvorada dos Ojás é praticado anualmente por praticantes de religiões de matrizes africanas representando a luta contra a intolerância religiosa e o desejo de paz nas nossas vidas. O ato de abertura e a sacralização dos Ojás foram conduzidos por Tata Ricardo de Lemba, que através dos cânticos e exaltações dos Orixás, Inquices e Voduns e Encantados pediu a autorização para o início das atividades.

Segundo o coordenador nacional do Coletivo de Entidades Negras, Marcos Rezende, “a árvore representa a ancestralidade, é estar fincado a terra, estar sempre olhando para o futuro e saber em que local está no mundo. Por mais que as pessoas não entendam o zelo, a delicadeza de se cuidar das árvores, de se passar a madrugada inteira colocando os ojás nas árvores, na verdade o que estamos fazendo com isso é dizendo para as árvores e para os nossos ancestrais ‘nós te amamos, te veneramos” e o que estamos fazendo é um gesto de amor, justamente para dizer para a cidade de Salvador que nós a amamos, independente de quem você seja, de qual seja sua religião, para fazer com que as pessoas percebam elas entendam que isso é pra trazer mais paz.”

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Nesse ano a amarração iniciou na Cruz Caída e seguiu o caminho até a Praça da Sé. Um outro grupo amarrou os ojás da praça Castro Alves ao Campo Grande. O grafiteiro Julio Costa que participou da ação, relacionou a experiência com o momento político atual que vivemos:

“Sem paz e com Temer. Na terra de todos os problemas a amarração de panos sem pompa e sem luxo, pela paz. No fluxo bebemos no processo algo pra passar a sede. Alguns, só poucos. Risadas. Missão certa, incerta. Era noite, era nossa. Era paz. Alguém cantou baixinho e emocionou os poucos que ouviram. Alguém cantou alto e as duas vozes nos transformaram num exército incrível, o pano sobrou”.

As atividades do mês de novembro prosseguem nesse domingo, no Pelourinho com o ato unificado pelo Dia da Consciência Negra histórico, onde o movimento negro baiano uniu-se em uma só ação, programada pela Convergência do Movimento Negro. O evento terá a participação de diversos artistas baianos e iniciará as 15h.

Por Pareta Calderasch

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