“Apenas um tribunal será capaz de sanar os conflitos de raça e de classe que orientam a política e a justiça brasileira: as ruas tomadas pelo povo”

Janeiro de 2018 (24/01) foi marcado por mais um episódio da novela patrocinada pela “grande mídia”, pelo Poder Judiciário, pelo Ministério Público e políticos representantes das elites brancas do Brasil. Nesta data, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, composta pelos Desembargadores, Leandro Paulsen, João Pedro Gebran Neto e Victor Luiz dos Santos Laus, mantiveram, por unanimidade, a corrompida sentença do Juiz Sérgio Moro, que condena o ex-presidente Lula.

Não é segredo para ninguém que o direito foi constituído enquanto instrumento de manutenção dos privilégios das classes dominantes. O Poder Judiciário, responsável por dirimir os conflitos existentes na sociedade, é composto, quase que em sua totalidade, pelos filhos e filhas da burguesia brasileira, que doutrinados(as) pela lógica da concentração de riqueza e do ódio às bases da sociedade (trabalhadoras e trabalhadores, em sua maioria negras e negros), recebem mais de 04 salários mínimos de auxílio-moradia para proferirem decisões regadas a açoites maquiados pela falsa beleza do vocabulário jurídico, tão distante da realidade quanto aqueles que o operam.

Todos os dias negras e negros, quase sempre moradores das periferias brasileiras, são condenados ao cumprimento de penas de prisão, isso quando não são mortos pelas balas do capital (venham elas das Polícias ou de outros canos que se valem do racismo para acabar com as vidas negras). Enquanto isso, o senador Aécio Neves e a família dos políticos Perrella, em formação de quadrilha, traficam meia tonelada de cocaína num helicóptero e continuam gozando de liberdade, dos mandatos políticos e de todo conforto que o dinheiro do tráfico lhes pode gerar. Isso porque, tanto Aécio quanto os integrantes da família Perrella são brancos, ricos e, óbvio, defensores das elites que comandam este País.

No outro lado, Rafael Braga, jovem negro e periférico, continua preso por portar um vidro de desinfetante. A mentirosa justificativa da Polícia e do Judiciário é que o desinfetante era um explosivo. Vendo a fragilidade da “prova”, plantaram um flagrante de droga (muito menor que a meia tonelada de cocaína da quadrilha Aécio/Perrella) para transformar Rafael em Traficante. Já em relação à Lula, a também única e forjada prova, a menina dos olhos do Juiz Moro, era o tão falado “tríplex”. Porém, o tal apartamento teve a sua propriedade destinada a terceiro, o que ficou constatado em penhora da 2ª Vara de Execução e Títulos do Distrito Federal. Apesar de não sabermos qual será a próxima prova a ser plantada contra Lula, o golpe das elites brasileiras ficou ainda mais desmoralizado.

Essas informações evidenciam os dois maiores conflitos existentes no Brasil e que nunca serão solucionados pelo Poder Judiciário ou noticiados pela “grande mídia”: raça e classe. Apenas pretos(as), pobres e aqueles(as) que a eles(as) se aliarem são condenados às carceragens brasileiras. Esse é o espírito que rege as alianças das elites brasileiras e daqueles(as) que a representam (“grande mídia”, Poder Judiciário, Ministério Público e direita política deste País). Eles não aceitam o amor e a identificação do povo brasileiro por um pobre retirante nordestino, sendo esta a única motivação real para a prisão de Lula.

Estamos por nossa própria conta e apenas um tribunal será capaz de sanar os conflitos de raça e de classe que orientam a política e a justiça brasileira: as ruas tomadas pelo povo. Nesse julgamento nós seremos os(as) juízes(as): pobres, pretos(as), moradores(as) das periferias, indígenas, sertanejos(as), quilombolas, lavradores(as), sem terras e todos(as) aqueles(as) que são odiados pelas elites brasileiras.

A favor do povo e contra as elites inimigas todos os meios serão necessários. Que rasguemos as togas, o julgamento vai começar!

Venceremos!

Por: Luiz Paulo Bastos
Advogado e militante do Coletivo de Entidades Negras

Deixe seu comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Pular para a barra de ferramentas