Banho de Mar a Fantasia mistura tradição, diversão e protestos na Praia da Preguiça

Aconteceu no último domingo (4), o tradicional Banho de Mar a Fantasia, da Ladeira da Preguiça. De acordo com os organizadores, a atividade contou com cerca de 700 pessoas com fantasias das mais diversas espécies. Regado a protestos, o evento prévio do Carnaval é uma tradição bastante antiga no bairro 2 de Julho.

A atividade surgiu nos anos 30 e foi interrompida no início anos 90, devido ao desastroso processo de degradação do Centro Antigo de Salvador. O Centro Cultural Que Ladeira é Essa(?) reuniu amigos para resgatar a festa na comunidade, que ficou parada durante 20 anos, retornando em 2012.

Faixa utilizada durante a festa. Foto: reprodução

Além do teor lúdico da festa, o Banho de Mar a Fantasia possui uma grande proporção social e de forte empoderamento para os moradores do local, que aproveitam a ocasião para realizar protestos em forma de folia, principalmente, alertar para o processo de esvaziamento da Ladeira da Preguiça por conta do descaso de governantes e contra a especulação imobiliária, que pode fazer com que se perca a cultura e identidade local. Para Marcelo Teles, idealizador do Centro Cultural Que Ladeira é Essa, esse é o momento para “retirar nossas fantasias de palhaços que vestimos durante todo o ano”.

Marcos Rezende, Coordenador Geral do CEN – Coletivo de Entidades Negras reafirma a importância destes eventos entrelaçados com as reivindicações populares. “A ação de fortalecimento identitária étnico-racial, de autoestima e de formação política desenvolvida pela direção do Que Ladeira é Essa(?) tem sido de fundamental importância para a concretização de ações transformadoras na Ladeira da Preguiça. Por isso que o Banho de Mar a Fantasia tem essa característica de ser uma manifestação política e cultural irreverente, onde fantasias e músicas se misturam com faixas e protestos de uma comunidade que luta contra a gentrificação e pela garantia dos direitos civis”.

Faixa utilizada durante a festa. Foto: reprodução

Para o seu retorno, foi necessária a conscientização de turistas e moradores da comunidade sobre sua grande importância cultural e política. Além disso, houve uma forte articulação do Que Ladeira é Essa com a ONG Junta Salvador, MUSAS – Museu Street Art Salvador, Coletivo de Entidades Negras-CEN, Sindipetro-BA, As Kuviteiras, Gente Boa se Atrai e Salvador Meu Amor para que o evento carnavalesco acontecesse novamente.

 

Por: Miquéias Santos

Faixa utilizada durante a festa. Foto: reprodução
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