‘Era pobre e macaca’, diz apresentador da Record sobre Ludmilla

 

Mais uma vez o termo “macaco” foi usado para se referir a uma pessoa. Desta vez, a vítima foi a cantora Ludmilla. Ao se referir a cantora, o apresentador Marcão do Povo, da versão brasiliense do “Balanço Geral”, da RecordTV, disparou: “É uma coisa que não dá para entender. Era pobre e macaca. Mas pobre pobre mesmo”.

Em seguida, ele emendou que “também era pobre e macaco, falava isso para os meus amigos. Hoje eu digo que sou rico de saúde, graças a Deus”. A cantora vai levar o caso à Justiça.

A afirmação foi feita durante o quadro “A Hora da Venenosa”, no momento em que apresentadora Sabrinna Albert contava como a cantora faz para evitar fotos com os fãs. Segundo Sabrinna, Ludmilla combina com os garçons para dizer que ela está resfriada e por isso os fãs não podem se aproximar dela.

A reação de Marcão ao ouvir o comentário foi dizer que “isso é uma coisa que não dá para entender”, que a cantora “era pobre e macaca”. À redação do NaTelinha, por meio da assessoria de imprensa, o apresentador afirmou que a afirmação foi divulgada fora de contexto.

“Como é público e notório, eu sou de uma cidade do interior do Tocantins, aonde cresci e desenvolvi diversos costumes, dentre os quais alguns vícios de linguagem. A expressão citada pela reportagem é uma delas: em nenhum momento quis ofender a cantora por sua cor. O termo ‘macaco’ é utilizado no Centro-Oeste sem teor pejorativo. Por exemplo: é bastante comum ver pessoas dizendo que ‘fulano é macaco velho’, pois já tem certa vivência em determinada coisa. É a mesma situação presente no vídeo, com a simples mudança do adjetivo que acompanha o termo. A acusação de racismo não procede. Minha carreira é marcada por respeito a todos, independente de cor, raça, credo ou qualquer outra coisa.”

 Justiça

Segundo o Correio Braziliense, Ludmilla vai entrar com pedido de prisão do apresentador na Justiça. O empresário da cantora, Alexandre Baptestini, disse que a mãe dela ligou para ele chorando muito. “Tem que acabar com isso no Brasil”.

A cantora já foi vítima de racismo outras vezes. Em um dos casos, a apresentadora Val Machiori disse que o cabelo de Ludmilla parecia “bombril”.

No futebol, o termo “macaco” é a principal marca do racismo no esporte. Em maio do ano passado, a vítima foi o jogador Gabriel Jesus, do Palmeiras. Na ocasião, o jogador revidou com bom-humor: “Ninguém quer que as pessoas te julguem com racismo. Só acho que macaco é mais esperto do que ele”.

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, chamar alguém de macaco é crime de injúria, com agravante pelo conteúdo racial.

Fonte: http://www.brasilpost.com.br/2017/01/17/ludmilla-pobre-macaca_n_14231760.html

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