Ex-funcionária acusa gerente de lanchonete por injúria racial no Rio

A ex-funcionária de uma rede de lanchonetes, com filial em Madureira, na Zona Norte do Rio, Rosilene Medeiros, de 30 anos, denunciou a gerente do estabelecimento por injúria racial. Ela descobriu, através de uma amiga, uma foto em que aparece limpando o balcão da lanchonete e na qual é comparada com a personagem Escrava Isaura. O caso foi registrado em 7 de junho na 29ª DP (Madureira).

Desde a denúncia, Rosilene, que estava em período de experiência, está desempregada. Ela disse que teve de pedir demissão por não aguentar a pressão e as piadinhas que viraram rotina despois que o caso foi parar na polícia.

“Não estava aguentando, não havia mais clima para continuar trabalhando lá.  Fui humilhada. Não fui a única. Numa reunião, ela usava um casaco que tinha estampado três macaquinhos. E disse que um dos macacos era um rapaz, que tempos depois foi demitido. Ele era negro”, lembrou a vítima.

Embora tivesse sido aprovada como operadora de caixa, Rosilene e outros funcionários costumavam exercer outras funções, como por exemplo, fazer a limpeza da loja. Ela conta que num dia que estava limpando a vitrine do balcão a gerente fez várias fotos dentro da loja. A funcionária pediu para que a foto não fosse publicada em redes sociais e a gerente teria concordado.

“Fui avisada por uma amiga, que viu a minha foto numa rede social e me mostrou. Lá estava eu de joelhos, fazendo a limpeza. Em cima da imagem estava escrito ‘protagonista da novela escravasaura’ (sic). Ela também escreveu meu nome errado. Quando vi, fiquei nervosa, triste, magoada, com raiva. Passei mal, tiver dor de cabeça e abalada. Fui reclamar com ela e ela disse que era só uma brincadeira”, contou a ex-funcionária, que copiou a página da em sua conta na rede social.

Segundo Rosilene, depois da reclamação e da queixa feita à polícia, começaram as piadinhas. O dono da loja chamou as duas para conversar. Ele argumentou que Rosilene deveria esquecer o caso, que tudo não passara de brincadeira e que via o post até como um elogio, que o trabalho dela estava sendo comparado ao de uma atriz.

“Não aceitei isso. Vejo como ela trata e humilha outros funcionários chamando eles de porcos, de gordos. Não podia mais continuar com isso.

A assessoria da Polícia Civil informou que o inquérito policial foi instaurado na 29ª DP, unidade para apurar crime de injúria por preconceito sofrido por uma funcionária de uma lanchonete, enquanto trabalhava. Diligências foram realizadas e o procedimento será encaminhado à Justiça, ainda esta semana, com o indiciamento da autora.

O G1 tentou entrar em contato com a gerente, mas ela não foi encontrada para comentar o assunto.

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