Gordinhas se vestem de laranja em combate à violência contra a mulher

 

As Gordinhas de Ondina estão, mais uma vez, vestidas para protestar. Dessa vez é pelo combate à violência contra a mulher. O visual laranja, que vai até o dia 10 deste mês, é uma das ações da campanha 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, promovida pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), em parceria com Instituto Avon.

 De acordo com a coordenadora de Gênero do CEN, Iraildes Andrade, a campanha é proposta pela ONU e tem como marco o dia 25 de novembro, tido como Dia Internacional do Combate à Violência contra a Mulher. “Aqui no Brasil nós começamos um pouco antes, no dia 21, que é logo após o Dia da Consciência Negra, pois 80% das vítimas de violência são mulheres negras”, disse a coordenadora.

Até agora, a campanha já atingiu cerca de 2 mil pessoas diretamente. A próxima ação ocorrerá na sexta-feira (09), com panfletagem na Estação da Lapa. O encerramento será em Lauro de Freitas, na região metropolitana, com um bate-papo sobre violência voltado para os jovens. O evento deverá ocorrer ou no dia 12 ou no dia 13 de dezembro – a data ainda não foi confirmada.

Ao longo da campanha, foram feitos debates com órgãos como a Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Secretarias de Políticas para as Mulheres – municipal e estadual -, Defensoria e Ministério Público, OAB/BA, Polícia Militar, além de diálogos junto a mulheres em cumprimento de penas alternativas e regime fechado. Os debates também ocorreram nos municípios de Lauro de Freitas e Simões Filho.

Segundo Iraildes, a campanha se preocupou em fazer ações não só com mulheres, mas também com homens. “Estivemos em um posto de saúde, em 7 de Abril, que só atendia homens. Conversamos com eles sobre a violência contra mulher e a importância de eles serem parceiros nesse combate. Também fizemos intervenções com PMs que fazem a ronda Maria da Penha, para falar do tipo de atendimento que a mulher precisa quando é violentada”.

Para o estudante de jornalismo, Daniel Serrano, 26 anos, esse tipo de ação com os homens é fundamental. “É importante para os homens se conscientizarem de que a mulher precisa ser respeitada, que ela é tão igual quanto qualquer um de nós”, disse o estudante.

A enfermeira Josefina de Souza, 46, ao passar pelo monumento das Gordinhas em Ondina, contou que vê mulheres violentadas e submissas com frequência. “Tenho amigas que não trabalham porque os maridos não deixam. Eu trabalho em maternidade e vejo as meninas apanhando dos maridos ou namorados porque engravidaram”, relatou ela, indignada.

Estudante de Letras da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Laís Conceição, 22, diz que já sofreu com violência e diz que esse tipo de ação já é tida como normal. “A luta diária para tirar isso do comum é importantíssima. Se permito que a sociedade eduque meninos para acharem que podem fazer o que quiserem com as mulheres, e eduque meninas para serem submissas, nunca vai mudar”, declarou ela.

Fonte: http://www.correio24horas.com.br/detalhe/categoria/noticia/gordinhas-se-vestem-de-laranja-em-combate-a-violencia-contra-a-mulher/?cHash=cc2817c9ae879dad94aefc4b62653881

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