HIDDEN FIGURES: A HISTÓRIA NUNCA CONTADA SOBRE AS MULHERES NEGRAS DA NASA

Ainda vamos ter que esperar um pouquinho para ler o livro e ver o filme, mas, as meninas da Capitolina não poderíamos deixar de falar dessa novidade incrível: Hidden Figures – ainda sem nome em português, seria algo como “Números Escondidos”. O livro, escrito por Margot Lee Shetterly tem a previsão de início das vendas para setembro de 2016 nos Estados Unidos. Já o filme tem previsão de estreia para janeiro de 2017.

Hidden Figures conta a história de uma equipe de mulheres afro-americanas que trabalharam nos bastidores da Missão Apollo (aquela que levou o primeiro homem à lua) e várias outras missões espaciais entre as décadas de 1940 e 1960.

Enquanto os Estados Unidos e a Rússia disputavam pra saber quem conseguira colocar um homem no espaço primeiro, a NASA encontrou um grupo de talentosas mulheres afro-americanas formadas em matemática que trabalharam como o cérebro por trás de uma das mais bem-sucedidas missões espaciais americanas. Baseado na historia real de três dessas mulheres, que ficaram conhecidas nas missões como “Computadores Humanos”, o livro e o filme contam parte do trabalho de Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson. Uma das funções assumidas por essas três mulheres incríveis foi a de calcular o momento exato do lançamento do astronauta John Glenn, o primeiro homem a orbitar em volta da Terra, bem como a garantia de seu retorno ao planeta de forma segura. Katherine Johnson ainda foi responsável por calcular a trajetória de pouso da Apollo 11 na lua.

A autora do livro, Margot Lee Sheterlly, nos conta:

“Todas sabemos com o que cientistas se parecem: pessoas de olhos confusos em um jaleco branco e óculos de trabalho, utilizando um protetor de bolso e segurando um tubo de ensaio. Maioria são homens. Geralmente brancos. Até o Google, nossa mente coletiva, confirma essa visão hegemônica. Apenas faça uma pesquisa de imagem com o termo “cientista” (…). Após o início da Segunda Guerra Mundial, agências federais norte-americanas e contratantes de defesa no país todo lidaram com a escassez do número de matemáticos contratando mulheres com habilidades em matemática. O centro de pesquisas da Aeronáutica, a “NACA” (Comitê Nacional para Aconselhamento sobre Aeronáutica), com sede no Laboratório de Pesquisas de Langley em Hampton, Virginia, criou um grupo de mulheres formadas em matemática que analisavam infinitos arranjos de dados advindos de testes em túneis de vento com protótipos de aeronaves. Acreditava-se que mulheres eram mais atentas a detalhes, e que suas mãos menores seriam melhor adequadas a tarefas repetitivas nas calculadoras Friden. Uma “menina” poderia ser remunerada significantemente menos do que um homem pela mesma tarefa. Engenheiros homens, libertos do árduo trabalho matemático, poderiam assumir projetos analíticos e conceituais considerados mais “sérios”. (…) Essas mulheres eram quase todas as melhores formandas de universidades tradicionalmente negras, tal como a Hampton Institute, Virginia State e a Universidade Wilberforce. Embora realizassem os mesmos trabalhos que mulheres brancas contratadas naquele período, elas eram isoladas em seus cubículos na ala oeste do campus de Langley – por isso, o apelido “os computadores do oeste”. Porém, a despeito das dificuldades de se trabalhar sob a legislação de Jim Crow na Virginia, essas mulheres continuaram a oferecer consideráveis contribuições para a aeronáutica, a astronáutica, e a eventual vitória Norte-americana contra a União Soviética durante a corrida espacial.”

(Fonte: http://margotleeshetterly.com/hidden-figures-nasas-african-american-computers/)

Katherine, Dorothy e Mary quebraram diversas barreiras em seu trabalho: as barreiras raciais, as barreiras de gênero e barreiras profissionais que as colocaram na posição de verdadeiras heroínas americanas.

Segue uma breve biografia dessas mulheres brilhantes, as Computadores:

Katherine Coleman Goble Johnson (nascida em 1918) é uma cientista afro-americana formada em física e matemática, além de cientista espacial que contribuiu para a aeronáutica americana e programas espaciais com o precoce uso de computadores eletrônicos digitais na NASA. Conhecida por sua precisão em navegação celestial computadorizada, ela calculou a trajetória para o Projeto Mercúrio e para o voo da Apollo 11 para a lua.

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Dorothy Johnson Vaughan (nascida em 1910 e falecida em 2008) foi uma afro-americana formada em matemática, que trabalhou para a NACA, agência que precedeu a NASA. Em 1949, Dorothy tornou-se chefe de um grupo de trabalho composto inteiramente por mulheres afro-americanas formadas em matemática. Durante o restante de sua carreira, ela se especializou em computação eletrônica e programação.

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Mary Winston Jackson (nascida em 1921 e falecida em 2005) foi uma afro-americana bacharel científica em matemática e física. Mary iniciou sua carreira na NACA como Computador. Ela se especializou em analisar dados de experimentos com túnel de vento e com aeronaves nos vários experimentos conduzidos pela NACA. Ela foi a primeira mulher a se tornar engenheira e, depois, engenheira espacial.

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A partir do final da década de 1960, a maioria das Computadores foram substituídos por computadores (máquinas). Algumas das cientistas continuaram a trabalhar na NASA como “tecnologistas. Essas mulheres deram contribuições muito significativas para a NASA, e o seu legado permanece. Como as primeiras mulheres afro-americanas a trabalhar na NACA, elas pavimentaram o caminho para que mais mulheres pudessem trabalhar nos campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

No filme, Taraji P. Henson (a Cookie do seriado Empire) interpretará Katherine Johnson, Octavia Spencer (que recebeu Oscar de melhor atriz coadjuvante por Histórias Cruzadas (The Help, 2011) interpretará Dorothy  Vaughan e Janelle Monáe (cantora, produtora musical e ativista contra a violência policial contra jovens americanos) interpretará Mary Jackson.

E, além dessas brilhantes atrizes, o filme também conta com a participação de Pharrell Williams como produtor e supervisor/autor da trilha sonora.

 

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