Impeachment foi acordo estratégico para barrar Lava Jato, é o que revela áudio de Ministro de Temer

Por Pareta Calderasch.

Em áudio que está em poder da PGR(Procuradoria-Geral da República), revelado através da reportagem de Rubens Valente, o atual ministro do planejamento do governo Temer, Romero Jucá, sugere ao ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, um pacto para “estancar a sangria” da operação Lava Jato, que investiga os dois interlocutores da conversa.

A conversa aconteceu semanas antes da votação na câmara que levou ao processo de impeachment da presidenta Dilma Roussef. Nas conversas reveladas, Machado e Jucá demonstram que o impeachment é um caminho diante da possibilidade de acontecer novas prisões na Lava Jato e discutem sobre a possibilidade de delações por meio da Queiroz Galvão e da Camargo Corrêa.

MACHADO – Tem que ter um impeachment.
JUCÁ – Tem que ter impeachment. Não tem saída.
MACHADO – E quem segurar, segura.
JUCÁ – Foi boa a conversa mas vamos ter outras pela frente.
MACHADO – Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisões de segunda instância], vai todo mundo delatar.
JUCÁ – Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer.
MACHADO – Odebrecht vai fazer.
JUCÁ – Seletiva, mas vai fazer.
MACHADO – Queiroz [Galvão] não sei se vai fazer ou não. A Camargo [Corrêa] vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que… O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho

Prosseguindo, Machado sugere botar o Michel Temer no governo, por meio do impeachment como melhor solução para barrar a Lava Jato. Enquanto Jucá vê Renan Calheiros como único empecilho para isso acontecer Machado fala do impeachment como um “grande acordo nacional” e Jucá complementa que o acordo deve ser “com o supremo, com tudo”.

MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].
JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.
MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.
JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.

Machado prossegue a conversa dizendo que “a situação é grave … eles querem pegar todos os políticos” e depois complementa “e o PSDB, não sei se caiu a ficha já”. Jucá afirma que já caiu a ficha dos senadores Aloysio Nunes e Aécio Neves, também do José Serra e depois complementa com o nome do senador Tasso Jereissati. Segundo Jucá, está “todo mundo na bandeja para ser comido” e “o primeiro a ser comido vai ser o Aécio”.

Jucá prossegue citando uma conversa com os ministros do Supremo onde eles falam da saída de Dilma e do monitoramento do MST, ainda fala de estar mantendo diálogos com generais e comandantes do exército.

JUCÁ – [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.

A conversa foi revelada em reportagem da Folha, segundo a matéria, o advogado de Jucá, Antonio Carlos de Almeida Castro, afirmou que seu cliente “jamais pensaria em fazer qualquer interferência” na Lava Jato e que as conversas não contêm ilegalidades.

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