Michelle Obama se despede da Casa Branca como a primeira-dama mais cheia de atitude da história recente dos EUA

Decididamente, ela não faz a linha donzela encastelada. Braço direito, esquerdo, companheira de viagens e de decisões do marido, Michelle Obama é a primeira-dama mais interessante, ativa e cheia de atitude da história recente dos Estados Unidos. Não se compara a Jackie O – sem dúvida, um ícone de estilo, mas de outra natureza, bem menos vibrante. Nem a Hillary Clinton, que teve de se dividir entre a ambição política e o caráter patético de Bill e ser obrigada a sorrir amarelo.

Com Obama prestes a encerrar sua passagem pela Casa Branca, a despedida é também de Michelle. Sua atuação em campanhas pela educação e pelo empoderamento de meninas e jovens mulheres, especialmente as negras, se destaca. Mas o fato é que mesmo quando não estava engajada em um evento, discurso ou causa específcos, a própria presença de Michelle foi desde sempre um statement.

Uma mulher negra na Casa Branca. Em posição de comando. Sendo amplamente ouvida, publicamente elogiada e tratada como par intelectual pelo presidente. Uma advogada formada em Harvard que relatou nacionalmente o preconceito que sofreu na faculdade de uma elite quase toda branca – preconceito esse que ela jamais tolerou. Michelle vestindo grifes como Christopher Kane, Narciso Rodriguez, Jason Wu, Missoni, Oscar de la Renta, Michael Kors, Zac Posen e Tanya Taylor – num casting inteligente de marcas com base norte-americana e pontuado por labels europeias. Michelle de look casual, dançando no beat. Michelle street style, de tênis, bem de rua. Michelle de papo com Beyoncé. Michelle e suas filhas com looks de balada. De franjinha, com decote, mostrando ombrinho. Michelle ícone de estilo e capa de revista, mas não muito preocupada em lançar tendencinhas.

O que a primeira-dama dos EUA fez com seus looks, mais do que tentar se comportar como uma it-girl, foi usá-los como ferramenta de comunicação. Um delicado mix entre mãe de família, mulher infuente nas decisões políticas do país (sobretudo na educação), musa cult e ativista – uma imagem complexa, que ela soube administrar muito bem ao longo desse período. Mais do que uma primeira-dama, Michelle é um exemplo ofcial de um importante avanço da cultura negra no mainstream de seu país. Das paradas pop ao alto comando da nação, passando pela imagem de moda. Michelle encarna a ideia de representatividade em termos de carreira, imagem, posicionamento ideológico e estilo. E passa a mensagem de que as mulheres, especialmente as negras, duplamente discriminadas, não vão mais aceitar a sombra. Elas estão aí para brilhar, mudar o mundo e, de quebra, desflar looks belíssimos.

Fonte: http://mdemulher.abril.com.br/moda/elle/michelle-obama-se-despede-da-casa-branca-como-a-primeira-dama-mais-cheia-de-atitude-da-historia

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