O QUE ENSINA AO POVO DE MATRIZ AFRICANA A ELEIÇÃO DE CRIVELLA NO RIO?


O antigo ditado espanhol que diz: “quando você vir as barbas de seu vizinho pegar fogo, ponha as suas de molho”, transmite a idéia que você deve estar atento ao que acontece à sua volta para, em alerta, agir para que não aconteça contigo o que já aconteceu aos outros.

Há mais de uma década sabemos dos projetos de poder da Igreja Universal do Reino de Deus. Seus planos são públicos; os livros de Crivella e de Macedo estão aí pra quem queira lêl-os. Nos faltou atenção! Subestimamos nossos adversários, não os levamos a sério.

A eleição de Crivella é a ponta de lança de um projeto que almeja fazer o presidente da república e transformar o país em uma república teocrática.É hora, então de nos alertarmos.Temos sido, como lideranças político-religiosas do nosso segmento religioso, de nos atentar e reagir a este projeto que tem a intolerância religiosa como uma de suas estratégias.

Nosso olhar precisa compreender o que leva religiosos de matrizes africanas a não compreenderem esses movimentos políticos como real ameaça, e construir novas perspectivas deste fenômeno religioso fundamentalista pentecostal que se fortalece à medida em que nos enfrenta.

Alguns já estão a dizer que devemos aprender com os evangélicos, mas penso que devemos nos voltar para as nossas tradições e nossas origens. Devemos superar as diferenças mesquinhas que nos afastam e fortalecer os laços sobre os elementos que nos unem. Devemos reaprender a olhar a casa de terreiro como espaço de resistência e preservação das nossas tradições e buscar resgatar os papéis originais de cada um e cada uma que ali se encontra. Somente com gestos assim, poderemos dar passos importantes rumo à tão sonhada unidade do povo de santo. A construção desta unidade precisa começar agora, já, nesse instante, caso contrário seremos extintos, como segmento religioso.

Agora que já temos certeza da seriedade e do projeto de poder dos fundamentalistas pentecostais, é inaceitável qualquer silêncio ou passividade diante do que está posto. Precisamos agir e estamos dispostos a ajudar nesta construção. De Sul a Norte, de Leste a Oeste, em todos os estados do país onde estamos, o CEN coloca sua expertise, seus recursos humanos e seu acúmulo político na construção de uma ampla rede de religiosos e religiosas de matrizes africanas visando, antes de tudo, discutir a política e, assim, construir nomes viáveis a partir da construção de um processo político construído pelo e para o povo de axé.

Avancemos!

Marcio Alexandre M. Gualberto
Coordenador Nacional de Política Institucional do CEN
Tel./Whats: 99919-2102

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