O racismo à moda brasileira e o “ecumenismo” do COB

Mais uma vez o racismo que não ousa dizer seu nome deu suas caras de forma indiscreta e com grande repercussão. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) vetou qualquer representação de religião de matriz africana em seu centro inter-religioso. A coordenação do centro inter-religioso ficará a cargo de um padre católico e as religiões que terão espaço dentro do centro são o cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduismo e budismo, com vinte e quatro capelões voluntários de diferente vertentes.Parem de ser vitimistas!!!!!! Não é racismo!!!! Dirão os defensores de nossa tão propalada democracia racial. Afinal, o Brasil é um país composto em sua maioria por ancestrais africanos, negros portanto. O Candomblé e a dimensão dos Orixás permeiam nossa cultura nacional, nossa culunária, nosso idioma e todos os aspectos da cultura nacional.

Se não é racismo, o que é então? Cabe ao senhor Nuzmann e aos seus muito bem pagos assessores encontrarem a explicação para a invisibilização das religiões de matrizes africanas, durante as Olimpíadas do Rio.

A invisibilidade do negro faz parte da estratégia do racismo cordial à moda brasileira: o racismo brasileiro não segrega explicitamente, mas finge não existir a gigantesca massa de negros que compõe o país. Esconder a religiosidade é péssimo. Reafirma o racismo, explicita a concepção que nós negros e tudo que nos conforma não pertencem a esse país que, em sua esquizofrenia e síndrome de vira-lata, se quer europeu e branco.

De um Comitê Olímpico caninamente alinhado à rasteira forma de se fazer política nesse país, não há que se esperar muita coisa. O COB calou-se em todas as vezes que a prefeitura do Senhor Eduardo Paes removeu casas de terreiro para as obras da “Cidade Olímpica”., calou-se diante de todas as arbitrariedades cometidas pela prefeitura, e agora manifesta-se para expor o racismo brasileiro sempre tão camuflado.

Espera-se que até o fim das Olimpíadas não se mude o lema olimpico que é: “mais rápido, mais alto, mais forte”, pois há sério risco de se acrescentar “mais racista”, a esses dizeres.

Marcio Alexandre M. Gualberto
Coordenador Nacional de Política Institucional do CEN

Deixe seu comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Pular para a barra de ferramentas