Pela primeira vez, uma mulher negra vai estampar uma cédula norte-americana.

A ex-escrava Harriet Tubman, que lutou pela abolição da escravatura nos Estados Unidos, vai tomar o lugar do ex-presidente Andrew Jackson nas notas de US$ 20. A decisão, que foi antecipada por um funcionário do Departamento do Tesouro americano nesta quarta (20), veio após pressão popular por uma mulher estampando a moeda.

Harriet Tubman nasceu em Maryland, na década de 1820. Escrava, aos seis anos começou a trabalhar como servente doméstica. Aos 13, foi enviada para trabalhar nos campos da fazenda onde vivia. Ela viu suas irmãs serem vendidas, os pais idosos trabalharem como escravos e carregou por toda a vida marcas físicas da escravidão.
Além das cicatrizes deixadas por chicotes, uma forte pancada na cabeça, desferida por um feitor e destinada a outro escravo a quem Harriet tentava defender, deixou sequelas permanentes. Por vezes, ela caia em sono profundo sem querer.

Em 1849, conseguiu fugir rumo ao norte e se instalou na Filadélfia, onde arrumou emprego e moradia. mas voltou a Maryland uma dezena de vezes para libertar outros escravos. Operando na Underground Railroad (Rota Subterrânea) – como ficou conhecido o conjunto de estradas, caminhos e esconderijos secretos usados por escravos e abolicionistas para libertação de pessoas – Harriet comandou missões a seu estado natal para libertar entre 60 e 70 escravos.

Nos Estados Unidos, contudo, tornou-se mais conhecida por sua participação durante a Guerra Civil Americana. É considerada uma das heroínas da história do país.

Depois do fim da guerra, Tubman viveu uma longa vida ao lado da família em Auburn, no estado de Nova York, onde passou a apoiar o movimento sufragista, que lutava pelo direito ao voto das mulheres. Quando ela morreu, em 1913, foi citada como uma das pessoas mais famosas a morrer naquele ano – seu nome estava ao lado de reis e rainhas, autores famosos e industriais.

Campanha

Martha Washington, a mulher de George Washington (primeiro presidente dos EUA), já tinha figurado temporariamente nas notas de um dólar nos anos de 1880 e 1890. Pocahontas, a mulher indígena norte-americana que inspirou o filme da Disney, ligada ao estabelecimento colonial em Jamestown, surgiu nas notas dos anos 1860, mas em poucos exemplares que circularam entre um grupo restrito de pessoas.

Foi preciso passar mais de um século até os Estados Unidos da América decidirem consagrar definitivamente a face principal de uma nota a uma figura feminina

E não apenas a nota de US$ 20 sofrerá mudanças. Segundo o site Politico, a nota de US$ 10 estampará em sua parte de trás efígies de mulheres do movimento sufragista americano. E a nota US$ 5 será modificada para incluir líderes do movimento pelos direitos civis dos negros no país.

A renovação – programada para ocorrer até 2020, centenário da conquista do voto feminino nos Estados Unidos – é resultado de uma campanha realizada pelo grupo Women on 20s (Mulheres nas Notas de 20, em tradução livre).

“Quando anunciei, em junho passado, que uma mulher iria figurar na nova nota de dez dólares, esperava encorajar um debate nacional sobre mulheres na nossa democracia. A resposta foi poderosa”, revelou em comunicado o secretário do Tesouro dos EUA, Jack Lew. “A decisão de pôr Harriet Tubman na nova nota de 20 dólares foi tomada após os milhares de respostas que recebemos dos americanos, novos e velhos”.

Do Portal Vermelho, com agências
www.vermelho.org.br

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