Projeto Terra Preta usa recursos do Funcep para aquecer a economia de terreiros


O terreiro Humkpame Bebe Kakwa Axe Aféfé Fuw Fuw, de “Pai Jaime”, na localidade de Areia Branca, município de Lauro de Freitas, será utilizado como “piloto” do Projeto Terra Preta RMS, lançado nesta quarta-feira 18, na Praça Pedro Archanjo, no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador.

A execução experimental do projeto do Governo do Estado começa a partir de junho próximo e, segundo o seu coordenador, Péricles Palmeiras, “o objetivo é gerar ocupação e renda às comunidades envolvidas, a partir do conceito de economia solidária”.

Um dos vencedores do edital de Matriz Africana da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), o Coletivo de Entidades Negras (CEN), vai implantar em 12 terreiros da Região Metropolitana de Salvador e Recôncavo uma rede de Sistemas Agroecológicos Integrados (SAI’s) até o final de 2017. Os SAI’s são constituídos de um galinheiro central, contornado por uma horta para cultivo de espécies previamente selecionadas, formando uma mandala.

Foram contemplados 12 terreiros de candomblé de oito (8) municípios: Terreiro de Lemba, Camaçari; Tum Tum, Itaparica; Humkpame Bebe Kakwa Axe Aféfé Fuw Fuw, Lauro de Freitas; Bate-Folha, Salvador; Toyá Deji, Salvador; Ilê Axé Baba Omim, Ilha de Vera Cruz; Ilê Axé Alá Bocum, Salvador; Ventura, Cachoeira; Matamba Jessi Messi, Barra de Pojuca; Matamba Kutalacongo, São Francisco do Conde; Ilê Odé Oba Omim, São Francisco do Conde; Ilê Axé Omin J’obá.

SUSTENTÁVEL

Secretário estadual do Trabalho e Esporte, Álvaro Gomes ressaltou o esforço do Governo do Estado em apoiar o povo de matriz africana, com um edital onde estão sendo investidos desde 2015 quase R$ 10 milhões.

“Esperamos que este projeto seja constante e se transforme em algo sustentável. Que os produtos disponibilizados pelos terreiros recebam beneficiamento e sejam comercializados nas feiras populares, gerando renda aos seus participantes”, avaliou o secretário.

Todos os beneficiados fazem coro em afirmar que “sem o Estado ele não seria executado”. Reforçam sua importância para ressocialização das “casas de santo” que passam a interagir mais.

SOCIALIZAÇÃO

Nos terreiros de candomblé serão cultivadas plantas medicinais e hortaliças que fazem parte do universo das religiões afrodescendentes. As hortaliças serão: alface, couve, agrião, coentro, alecrim entre outras; enquanto as plantas serão: favaca de cobra, guiné, arruda, patchuli, macaçá, etc.

Os terreiros vão receber através do convênio (Setre-CEN) assessoria técnica gratuita com base em uma tecnologia social baseada em práticas agrícolas sustentáveis.

“A plantação deverá começar a partir de agosto e, esperamos no final do ano, a primeira colheita da safra pela comunidade”, adianta o titular da Setre, Álvaro Gomes.

Para socialização das práticas, o “piloto” do Projeto Terre Preta RMS terá dezenas de “viveiros” com mudas que serão disponibilizadas para os demais terreiros de candomblé.

Cada plantel do galinheiro será formado, inicialmente, com 20 galinhas rústicas (da terra), um galo e mais 40 pintos. Neste projeto serão aportados globalmente recursos da ordem de R$ 664 mil, oriundos do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Funcep).

CRITÉRIOS

A escolha dos terreiros obedeceu a critérios técnicos, que dizem respeito, principalmente, à viabilidade hídrica (existência de rios, fontes ou poços em sua área) e ao potencial produtivo do terreno (ser plano, sem declive acentuado e com solo apropriado para cultivo).

Terreiros contemplados pelo Terra Preta RMS serão estimulados a cuidar de forma satisfatória do seu empreendimento, uma vez que cada um deles irá gerar um tipo diferente de produto. Os participantes deverão auxiliar no planejamento das ações, buscando soluções para melhorar a qualidade da produção.

Além do titular da Setre, Álvaro Gomes e do superintendente estadual de Economia Solidária, Milton Barbosa, estavam presentes os representantes da Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fábya Reis e da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Renata Rossi, entre outras autoridades e lideranças religiosas do povo de santo.

Ascom Setre
18.05.2016
Lício Ferreira – MTE-Ba 793

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