Orooni

O Orooni surge da necessidade de se estabelecer um diálogo entre os jovens (abiãs, Iyaos) e os mais velhos (ebomis) do candomblé a fim de estimular novas práticas de convivência para além do intramuros religioso e sim para se espraiar por toda a sociedade.

O Projeto consiste em encontros bimensais onde ocorrem diálogos que proporcionam troca de saberes, olhares,  ensinamentos e de conhecimentos baseados na tradição oral dos religiosos de matrizes africanas de gerações diferentes tendo como objetivo o aprender com os mais velhos e adaptar as antigas, históricas e importantes estratégias de combate a intolerância, racismo e ao ódio religioso às tecnologias atuais tanto de mídia social, como de um novo fazer político para além das comunidades e povos tradicionais de terreiros e desse modo estabelecer um olhar com pertinência e em sintonia com a tradição, ao tempo que se eleva os olhares assim como petições, ofícios, contestações e mobilizações para as instâncias dos poderes executivo, legislativo e judiciário buscando conter o conservadorismo que vem crescendo nesses espaços ao tempo que elencando as garantias constitucionais estabelecidas na nossa Carta Magna de 1988.

O CEN – Coletivo de Entidades Negras e a Associação Obatalandê, e o Ilê Axé Abassá de Ogum, junto a casas de candomblé das nações Ketu, Angola e Gêge constituiu um campo de atuação que ao fim e a cabo reuniu jovens de candomblé de municípios diversos para fazer uma leitura atualizada do momento pelo qual estamos vivendo e encaminhar aos poderes instituídos propostas que nos conduzam a uma sociedade fraterna e de respeito mútuo.

Vivemos um momento particular da história democrática do Brasil. Momento em que se por um lado avançamos no sentido das políticas públicas de inclusão, redução da miséria, fortalecimento das instituições públicas e de reconhecimento internacional, mas que por outro lado somos ameaçados com ideologias medievais de cerceamento da liberdade humana, discriminação racial e incentivo ao ódio religioso estimulando a violência contra os movimentos sociais através das constantes investidas de grupos, corporações e indivíduos que diariamente atentam contra a democracia, a liberdade e aos direitos humanos. No próprio Congresso Nacional, declarações racistas e homofóbicas do Deputado Marcos Feliciano, à época presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, assim como as diversas indicações parlamentares propondo o fim dos rituais nas religiões de Matriz africanas e a proibição da prática da Capoeira Angola no Brasil apontaram para uma necessidade urgente de reorganização e ampliação do debate sobre as estratégias a serem adotadas no sentido de preservar nossa identidade e assegurar nossos direitos de cidadãos garantidos na constituição.

Dessa feita o Orooni se constituiu como esse espaço de debates e reflexões entre as Comunidades Tradicionais de Terreiros e os campos políticos sociais afim de estabelecer estratégias de resistência contra o racismo religioso, o machismo, a misoginia, o genocídio da juventude negra  e a homolesbobitransfobia, além de declarar a sociedade quais os posicionamentos da nossa religião no que diz respeito ao aborto, a vida após a morte, a importância das águas, a crise do capital e a importância de se respeitar e valorizar o meio ambiente.

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