RACISMO, GUERRA ÀS DROGAS E O VÍCIO DA OPRESSÃO. UM PASSEIO COM DEBORAH SMALL

“Os negros não vieram para as Américas como negros, Nos impuseram a negritude. As pessoas brancas não vieram à América com brancas. E elas trocaram isso por sua branquitude. Essa diferenciação foi criada para justificar a hierarquia econômica que permite um grupo de pessoas dominar o outro.”

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No sexto episódio de Córtex, o Fluxo convidou a advogada e ativista Deborah Small, veterana do movimento negro e antiproibicionista dos EUA.

Deborah veio ao Brasil a convite do CESeC (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania) para uma série de encontros e eventos no Rio, Salvador e São Paulo. Ela veio contar um pouco de sua experiência e suas ideias como militante e especialista no sistema criminal. Ao longo dos últimos 30 anos, Deborah se tornou uma das mais articuladas vozes capazes de demonstrar como a Guerra às Drogas e a criminalização dos negros e pobres são ecos da escravidão e do que ela chama de “vício da punição”.

Por isso a levamos para um passeio pela antiga área portuária do Rio de Janeiro – o centro histórico da escravidão no Brasil. Foi no porto do Rio onde a maior quantidade de navios negreiros aportaram no continente. De onde homens, mulheres e crianças negras foram comercializados e distribuídos no país e nas Américas para uma vida de escravidão. Essa mesma área que, hoje, está sendo reconstruída no projeto que Eduardo Paes chamou de “Porto Maravilha”. Um dos principais cartões postais da visão de cidade olímpica proposta pela administração.

Nesse cenário, a partir do antigo bairro da Saúde, passando pela Pedra do Sal e acabando no Museu do Amanhã, durante uma hora de caminhada, Deborah Small e Bruno Torturra conversaram sobre como a Guerra às Drogas, o super encarceramento e a escalada das tensões étnicas na política podem ser compreendidas sob uma perspectiva histórica e, mais importante, pela construção de identidades raciais forjadas no regime escravocrata.

Falamos sobre Donald Trump e o ressentimento que o impulsiona. Sobre os limites da esquerda reformista, das diferenças e semelhanças entre o Brasil e os EUA em suas histórias negras, sobre como através do proibicionismo e do sistema judicial nós podemos entender melhor a reprodução dos rituais opressivos do passado. Obama, Bernie e Hillary. A negação brasileira de seu racismo estrutural na adoção da cultura africana e o desprezo pelos negros. Gentrificação e falta de memória. E como a esquerda e o pensamento progressista precisa ser reconstruído pela superação do reformismo econômico em nome de uma revolução das identidades.

Córtex é uma produção original do Fluxo.

Direção e Câmera: Susana Jeha
Câmera e áudio: Maria Shirts
Edição: Bruno Torturra e Thiago Neves

Fonte: http://www.fluxo.net/tudo/2016/7/29/cortex6-deborah-small

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