Recital em homenagem a Marielle Franco, marca a Praça Pastores da Noite, no Pelourinho

 

Mesmo após quase dois meses da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), sua figura ainda tem forte significado para a comunidade negra, não só no Brasil, mas também em âmbito internacional, como sinônimo de luta pelos direitos humanos. E foi em sua homenagem que aconteceu no último sábado (28), o Recital Político Cultural Pelas Vidas Negras, o evento, que foi aberto ao público, contou com a participação de jovens de escolas pública de Salvador e Simões Filho.

O Recital, promovido pelo grupo Vitrine Cultural e pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), aconteceu na Praça Pastores da Noite, no Pelourinho, contou com diversas manifestações culturais, e segundo John Billys, idealizador da ação, o evento atingiu seu objetivo principal, que foi dar voz aos jovens, que buscam a garantia de seus direitos através de denúncias contra o Estado, que cada vez mais tenta minimizar a voz e vez da juventude negra.

Os alunos do colégio estadual Aratu, do município de Simões Filho e das escolas estaduais Maria Anita Praia Grande, ambas do bairro de Periperi, em Salvador, encenaram uma peça teatral contando a história de Marielle. Através de cartazes, os estudantes mostraram a vereadora não apenas como uma mulher de luta, mas também como cotista, feminista, periférica, estudante de escola pública, mãe, socióloga e mestra em administração pública.

Para o Coordenador Geral do CEN, Marcos Rezende, ver o público jovem se engajar com questões políticas diante de um cenário caótico como o atual é gratificante. “A arte faz parte desse conjunto denominado cultura e a partir da cultura podemos explorar as mais diversas temáticas e creio que foi isso que os jovens fizeram essa final de semana. Através da cultura apresentaram a atual situação política do país e como a população negra é a quem mais perde quando os direitos são restringidos”, disse.

Outro fator que também chamou a atenção de Rezende foi perceber a dimensão da representatividade da vereadora para a população jovem e negra. “Foi impressionante perceber como Marielle é um forte vetor de representação entre as jovens periféricas que enxergam nela a possibilidade de ousar e conseguir ultrapassar as barreiras impostas pelo racismo. No recital apresentado ficou nítido que em um estado onde os direitos humanos não são respeitados, as primeiras vítimas são as mulheres e os jovens negros”, destacou.

Também estiveram presentes no Recital, o músico Jan Brito, que realizou um pocket show de abertura e o poeta Luck Bahia, que apresentou os poemas ‘Dona Maria’, e ‘Ser Preto’, ambos de sua autoria onde trazem relatos protagonizados pelo próprio poeta em sua vivência como homem negro, oriundo da periferia. Ao longo da tarde, militâncias ligadas a juventude também aproveitaram o espaço para discursar.

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