Samba Junino, patrimônio imaterial de Salvador, recebe descaso da Bahiatursa

O Samba Junino, reconhecido como patrimônio imaterial de Salvador no último domingo, tem sido alvo de descaso pela Bahiatursa, é o que denuncia Osvaldo Guimarães, conhecido pelo nome artístico “Lobo Mau”, do grupo Só Samba de Roda. Na denúncia ele cita que a Bahiatursa “nem mesmo recebe o Samba Junino para dialogar e não demonstra interesse em contribuir com as ações do Samba Junino, desprezando esse importante elemento cultural que nasceu nas ruas de Salvador e recebeu reconhecimento como patrimônio imaterial da cidade pela prefeitura”.

Mesmo administrando um órgão que cuida também da cultura da cidade mais negra do mundo fora da África, o presidente da Bahiatursa, Diogo Medrado, se comporta com total distanciamento da cultura negra, valorizando os grande conglomerados empresariais da cultura e preterindo aos artistas tradicionais, aos quais muitas vezes nem se dá ao luxo de responder pleito, como aconteceu com o Samba Junino. Um outro aspecto desse descaso é visto na questão de artistas negros consagrados que quando contratados precisam se empenhar em uma luta árdua para receber o cachê merecido pelo seu trabalho sem nenhum tipo de correção devido aos atrasos no pagamento.

No evento de reconhecimento do Samba Junino como patrimônio imaterial, no último domingo, Lobo explicou a importância do reconhecimento do Samba Junino e da preservação do mesmo:

“Esse Patrimônio que só foi possível por conta de negros e negras que na impossibilidade de curtir o São João tradicional criaram uma nova modalidade de Samba com um compasso diferenciado e que representou para os bairros periféricos a possibilidade de brincar o São João de estabelecer novos vínculos comunitários,  aproximação das pessoas e uma irmandade construída em cada bairro através do samba Junino.

Digo isso porque sou fruto dessa irmandade. Assim cresci nesse Engenho Velho de Brotas acompanhando diversos grupos de  samba, assim fui aprendendo a tocar e depois fui para os bairros da Liberdade…, o velhinho aqui já está 52, mas sem nunca tirar a camisa do Samba Junino.

Cabe também dizer que sou diretor do Sindicato dos Músicos da Bahia e esse ato deve servir de exemplo de que muitas vezes mas vale o reconhecimento e respeito do que qualquer dinheiro. Isso é manter a tradição e em que pese não encontrar muito apoio e compreensão naquele sindicato eu reafirmo a importância da mesma mas observo a importância de se construir novos olhares frente a esse novo momento histórico.”
– Osvaldo Guimarães

Tombamento

O tombamento do Samba Junino aconteceu no último domingo(19), no Solar Boa Vista. O início do processo foi em 2015, quando o grupo Só Samba de Roda, com o apoio do Coletivo de Entidades Negras, entregou o protocolo de solicitação a Fundação Gregório de Mattos solicitando o seu reconhecimento como patrimônio imaterial de Salvador. O lançamento contou com a presença de Fernando Guerreiro, do prefeito da cidade e de Lobo que foi o articulador desse processo de reconhecimento.

O Samba Junino, nasceu há mais de 30 anos, nas ruas de bairros  como Liberdade, Engenho Velho de Brotas, Federação, Garcia, Vasco da Gama, Dique Pequeno, Alto da Bola, Nordeste de Amaralina, Tororó, Engomadeira, Beiru, Caixa D’água, Plataforma, entre outros, é uma forte expressão da cultura popular por ter nascido diretamente dos braços do povo, sem aparatos sonoros com a percussão no chão.

Redação do CEN.

 

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