Sucesso de Mister Brau consolida empoderamento negro no horário nobre da Globo

Acabou a dúvida: sim, negros podem protagonizar um seriado na faixa nobre da maior emissora do país. O ótimo resultado de audiência de Mister Brau confronta a teoria de que o público rejeita atores negros em papéis de destaque.

A segunda temporada da atração estrelada pelo casal Lázaro Ramos e Taís Araújo terminou na terça-feira, dia 2. Os treze episódios resultaram na média de 21 pontos, 1 ponto a mais do que a primeira temporada, exibida entre setembro e dezembro de 2015.

Criada pelo cineasta Jorge Furtado, Mister Brau tem um quê de metalinguagem. A ficção joga luz no empoderamento de dois negros, Brau e Michele, ao mesmo tempo em que os próprios artistas que os interpretam usam o status de celebridade para discutir e combater o racismo na vida real.

Cantor pop, o protagonista enfrenta as delícias e agruras da fama e da fortuna, em alusão ao que qualquer negro anônimo enfrenta ao vencer os degraus da ascensão social em seu círculo: família, amigos, vizinhos, ambiente corporativo etc.

A partir dessa premissa, discute-se múltiplos preconceitos. A discriminação racial surge empacotada na comédia. E, a seu modo, o roteiro funciona bem para fazer a denúncia do racismo com leveza e despretensão. Fica mais assimilável ao telespectador interessado em entretenimento, e não necessariamente no ativismo.

A simples presença de dois atores negros no horário nobre da Globo, em papéis que não são de empregados nem bandidos, já muda a perspectiva e amplia consideravelmente a visibilidade da maior parte da população brasileira – 53,6% se declaram pretos ou pardos, de acordo com o IBGE – na tela do canal líder no ranking do Ibope.

As tramas de Brau e Michele não suscitam uma discussão organizada do combate ao racismo, mas são um passo relevante para inserir o assunto na casa de milhões de pessoas. O seriado abre caminho para expandir a presença de atores negros na teledramaturgia; e que não seja apenas em produções sobre escravidão ou ambientadas em favelas.

Mister Brau cumpre a função que foi pretendida por Sexo e as Negas, seriado de Miguel Falabella, no ar de setembro a dezembro de 2014. Com elenco liderado por quatro atrizes negras, a produção foi massacrada já antes da estreia, sob a acusação de reforçar estereótipos prejudiciais à imagem da mulher negra.

O êxito de crítica e Ibope garantiu uma terceira temporada a Mister Brau, no ar em 2017.

Fonte: http://diversao.terra.com.br/tv/sala-de-tv/blog/2016/08/04/sucesso-de-mister-brau-consolida-empoderamento-negro-no-horario-nobre-da-globo/

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