Terreiro de Lembá é tombado como Patrimônio Cultural de Camaçari

O Unzó Tatêto Lembá é o primeiro terreiro tombado pelo município de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. A salvaguarda foi oficializada nesta terça-feira (10), durante cerimônia no templo religioso, com festa, rituais e homenagens que envolveram lideranças religiosas e políticas. A chefe de gabinete da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), Fabya Reis, participou do ato, destacando a medida como resultado da luta do povo de terreiro e exemplo a ser seguido por outras cidades em “reconhecimento e justiça à contribuição do segmento na sociedade ”.

Para o sacerdote da casa, Tatá Ricardo Tavares, o tombamento é um marco de reparação. “Estamos mantendo viva a nossa história, ou seja, os saberes, fazeres, falares e liturgias dos nossos ancestrais, por todos os terreiros que foram destruídos pelo racismo, intolerância e perseguição”, disse o líder religioso. A conquista, de acordo com a vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Mãe Jaciara Ribeiro, “não é apenas do Lembá, mas de todo o povo de candomblé, que busca a efetivação de políticas públicas como essa”.

Processo de tombamento

Segundo o prefeito de Camaçari, Ademar Salgado, a ação só foi possível após longo período de estudo, iniciado em 2011, pela Secretaria Municipal da Cultura. O objetivo é garantir o direito à cultura, ao patrimônio cultural e à manutenção das manifestações culturais e religiosas, além de combater a discriminação e a intolerância, promovendo a valorização e a preservação das religiões de matrizes africanas. A partir do trabalho, buscou-se identificar os traços característicos do espaço sagrado, que revelam práticas das expressões remanescentes da cultura bantu/angola.

Terreiro de Lembá

Com 26 anos de funcionamento, o terreiro de Lembá tem se destacado não apenas pela preservação da ancestralidade, mas pelo trabalho desenvolvido junto à comunidade, principalmente no âmbito educacional. No espaço religioso funciona a Escola Zumbi dos Palmares, exemplo de convivência pacífica entre pessoas de diferentes crenças e etnias. O equipamento também é referência na aplicação da Lei 10.639, que determina a introdução de temas ligados à cultura afro-brasileira nas unidades de ensino, bem como no compromisso com a igualdade e combate à intolerância religiosa. Nos últimos quatro anos, a escola tem obtido notas de destaque na Prova Brasil, avaliação do Ministério da Educação (MEC), com atendimento a 126 estudantes até o 5º ano do ensino fundamental. “Essa casa tem como prioridade a educação, inclusão social, restaurar a autoestima e desconstruir rótulos dessa sociedade racista, preconceituosa e intolerante”, afirmou o sacerdote.

Participação

Também participaram do evento Ebomi Nice, Mãe Naná, Mãe Edelzuita Morais, o diretor da Casa de Angola, Camilo Afonso, o coordenador do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, Walmir França, e Luís Bastos, da Coordenação de Políticas para as Comunidades Tradicionais da Sepromi. Estiveram presentes, ainda, os representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Nalva Santos, e do mandato do deputado federal Valmir Assunção, Tasso Brito, o deputado estadual Bira Corôa, e a diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), órgão vinculado à Secretaria Estadual da Cultura (Secult) Arany Santana.

Fonte: http://www.sepromi.ba.gov.br/galeria/330/425/Terreiro-de-Lemba-e-tombado-como-Patrimonio-Cultural-de-Camacari.html

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