Estatuto da Igualdade garante recursos para incentivar economia solidária em terreiros de candomblé

O projeto Terra Preta, que propõe a implantação de uma rede de sistemas agroecológicos integrados em terreiros de candomblé de oito municípios da Região Metropolitana de Salvador e Recôncavo, foi lançado nesta quarta-feira (18), na Praça Pedro Archanjo, no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. A proposta do Coletivo de Entidades Negras (CEN) foi aprovada pelo edital de Matriz Africana da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).No ato, a chefe de gabinete da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis, parabenizou a instituição do movimento negro e a Setre pelo edital, onde estão sendo investidos desde 2015 quase R$ 10 milhões, sendo R$1,9 milhões do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Funcep), em cumprimento ao Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, contemplando diversas organizações da sociedade civil. Para a representante da Sepromi, a medida demonstra o “reconhecimento do Estado a atividades que já vem sendo desenvolvidas pelos povos e comunidades tradicionais da Bahia, bem como aos seus modos tradicionais de vida”.

A meta do edital é fomentar a produção e a comercialização de produtos de economia solidária, com o cunho do associativismo e do cooperativismo, entre os afrodescendentes. Nesta ação, específica, os sistemas serão constituídos de um galinheiro central, contornado por uma horta para cultivo de espécies previamente selecionadas, formando uma mandala. O objetivo, segundo o coordenador do projeto, Péricles Palmeiras, é “gerar ocupação e renda às comunidades envolvidas, a partir do conceito de economia solidária”.

Foram contemplados 12 terreiros de candomblé: Terreiro de Lemba, Camaçari; Tum Tum, Itaparica; Humkpame Bebe Kakwa Axe Aféfé Fuw Fuw, Lauro de Freitas; Bate-Folha, Salvador; Toyá Deji, Salvador; Ilê Axé Baba Omim, Ilha de Vera Cruz; Ilê Axé Alá Bocum, Salvador; Ventura, Cachoeira; Matamba Jessi Messi, Barra de Pojuca; Matamba Kutalacongo, São Francisco do Conde; Ilê Odé Oba Omim, São Francisco do Conde; Ilê Axé Omin J’obá. O de Lauro de Freitas será utilizado como “piloto”.

Sustentável

O secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Álvaro Gomes, ressaltou o esforço do Governo do Estado em apoiar o povo de matriz africana, com um edital onde estão sendo investidos desde 2015 quase R$ 10 milhões. “Esperamos que este projeto seja constante e se transforme em algo sustentável. Que os produtos disponibilizados pelos terreiros recebam beneficiamento e sejam comercializados nas feiras populares, gerando renda aos seus participantes”, avaliou.

Nos terreiros serão cultivadas plantas medicinais e hortaliças que fazem parte do universo das religiões afrodescendentes. Eles vão receber através do convênio (Setre-CEN) assessoria técnica gratuita com base em uma tecnologia social baseada em práticas agrícolas sustentáveis. “A plantação deverá começar a partir de agosto e, esperamos no final do ano, a primeira colheita da safra pela comunidade”, adianta o titular da Setre, Álvaro Gomes. Cada plantel do galinheiro será formado, inicialmente, com 20 galinhas rústicas (da terra), um galo e mais 40 pintos. Neste projeto serão aportados globalmente recursos da ordem de R$ 664 mil, oriundos do Funcep.

Estiveram presentes, ainda, na atividade o superintendente estadual de Economia Solidária da Setre, Milton Barbosa, e a representante da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Renata Rossi, entre outras autoridades e lideranças religiosas do povo de santo.

Com informações do Coletivo de Entidades Negras e da Setre-BA

Fonte: http://www.sepromi.ba.gov.br/galeria/342/436/edital.html

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