Não é contra a corrupção, é contra os negros.

Todo discurso contra os pobres mascara um racismo que se esconde envergonhado, visto que a imensa massa marrom que conforma os setores mais pobres de nossa sociedade é constituída de negros e negras. Assim foi durante todo o período que antecedeu o impedimento da presidente Dilma. Eram recorrentes as falas contra o bolsa família, o programa com os médicos cubanos e as políticas de cotas. Todas mascaradas pelo ideário da superação e do mérito em contraposição à ideia de esmola que leva os pobres à acomodação e à preguiça, tornando-os, pois, reféns dos “auxílios” propiciados pelo governo.

É a população negra, historicamente excluída, que se encontra na base da pirâmide social e compõe a maior parte dos beneficiários dos programas sociais levados a cabo por Lula e Dilma. O governo golpista de Michel Temer visa atingir diretamente esta parcela da população.

Ao dar posse ao seu ministério, o golpista Michel Temer não se preocupou com os preceitos éticos ingenuamente defendidos por milhões que foram pedir “Fora Dilma” – como se a corrupção houvesse começado com o PT e acabaria com o encerramento abrupto do governo petista. Michel não se importou em nomear sete ministros arrolados em vários processos por corrupção, não se preocupou em nomear mulheres, não valorizou em um só momento a diversidade étnica do povo brasileiro.

O governo golpista quis dizer ao país que este é o momento de os homens brancos, fundamentalistas religiosos e conservadores voltarem a dar as cartas, como sempre deram, de acordo com seus interesses e os de seus grupos.

Desde a primeira posse de Fernando Henrique Cardoso o combate ao racismo e a inclusão da população negra têm sido objeto das falas e ações dos governantes. Michel não fala em momento algum sobre racismo, pelo contrário, nomeia como Ministro da Educação o membro de um partido que usou de todos os expedientes para barrar as políticas afirmativas nesse campo e já sinaliza o fim de vários programas que incluem e fixam alunos negros e pobres nas universidades. O governo golpista fez retroceder em apenas cinco horas as agendas sociais extinguindo as Secretarias de Mulheres, de Direitos Humanos, da Igualdade Racial e, notadamente, o Ministério da Cultura, todos estes com forte recorte étnico-racial e de gênero.

De forma seguida, o governo golpista de Michel volta-se contra os direitos trabalhistas e previdenciários, mais uma vez afetando com grande impacto aqueles que se encontram na base da pirâmide, fora as mudanças no sistema de saúde, na questão agrária entre tantas outras.

Ao afirmar que “não é contra a corrução, mas contra os negros”, o Coletivo de Entidades Negras (CEN) desnuda este governo golpista e denuncia que este é um governo de homens brancos que odeiam negros e tornam nítidas as intenções subjacentes ao golpe perpetrado que tem como objeto de fundo perpetuar a situação de miséria e escravidão em que vive a população negra a 516 anos.

 

Marcio Alexandre Martins Gualberto
Coordenador Nacional de Política Institucional do CEN

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